Cicloturismo

O Turismo de Bicicleta

em Portugal

Cicloturismo

Cronologia

Anos 50

Anos 60

Anos 70

Anos 80

Hoje

APTuS

Cicloturismo é eminentemente a liberdade de passear de bicicleta com os amigos, com a família ou individualmente. Fazer turismo em bicicleta não é ciclismo, é a possibilidade de contemplar a paisagem, observar aves e também o silêncio, um dos grandes benefícios desta atividade. O Cicloturismo (deslocação turística em bicicleta) constitui uma actividade lúdica, recreativa e desportiva que contém uma filosofia de comunhão com a natureza e de respeito pelo ambiente. Passear em bicicleta é uma aventura inesquecível, desde os mais pequenos passeios até viagens entre continentes, são cada vez mais as pessoas que substituem o transporte motorizado pela bicicleta, pela proximidade que esta proporciona com o meio que a rodeia. Os utilizadores de bicicleta sempre privilegiaram, ao longo dos anos, regiões de grande valor paisagístico, biológico e cultural.

Anos 50

 

Aristides Martins, sócio honorário da FPCUB, depois de ter sido ciclista de competição nos anos 40 e mais tarde seleccionador nacional tornou-se na década de 50, igualmente, um impulsionador do cicloturismo em Portugal com outros amigos. Nos finais dos anos 50, o escultor Laureano Pinto Bastos, Catedrático Jubilado da Faculdade de Arquitectura do Porto. O Dr. António Sousa Pires, licenciado na Sorbonne, desenvolve o Cicloturimo a partir dos finais dos anos 50 e nos anos 60, sobretudo na região norte.

Cronologia

 

A partir de1890 surgem pessoas que usam a bicicleta para deslocações turísticas na Holanda e França e paralelamente inicia-se o processo cicloturístico em Portugal, não havendo, no entanto, dados conhecidos sobre a sua evolução até aos anos 20. Nessa altura as voltas a Portugal em cavalo, de grande impacte popular e cobertura pelos jornais da época, eram acompanhadas também por cicloturistas. O Cicloturismo ressurge nos anos 40 e 50 em Portugal pela mão de António Duarte Laureano (Sócio honorário da FPCUB) que cria o Grupo “Os Quinze” – Lisboa, percorre o país e desenvolve as ideias do Cicloturista francês Velócio, fez palestras em várias academias culturais e sociedades recreativas, usando a bicicleta para percorrer o país nas suas deslocações. A polícia política confundiu, várias vezes, as suas actividades com acções políticas, tendo sido detido ao longo dos anos pela PIDE. Deslocava-se de bicicleta frequentemente nas suas viagens a Espanha e a França.

Anos 60

 

Nos anos 60também o Dr. Eduardo Vasco da Veiga de Oliveira, neto de Alves da Veiga(patriota, político, estadista e chefe da revolta Republicana no Porto), tinha a humildade e ousadia de ir de bicicleta para o seu trabalho de médico na fábrica da Senhora da Hora e de receber no seu ciclo de tertúlia intelectual e de convívio Cicloturista da época, em que promovia passeios com Eugénio de Andrade, José Rodrigues, Laureano Ribatua, Jorge Listopad, Bento da Cruz, Sofia de Mello Breyner, Agustina Bessa Luís; Manuel Santos Martins, entre outros. Fez milhares de quilómetros de bicicleta e todas as estradas do mapa do ACP (Automóvel Clube de Portugal) da época. José Manuel Sá Carneiro e António Sousa Martins entusiasmam Fernando Castel-Branco Sacramento nos raides cicloturistas de fundo que se iniciam em Portugal e, em conjunto com o Dr. Eduardo Oliveira, publicam o livro “Caminho de Santiago” – percurso francês e espanhol.

Anos 70

 

Aristides Martins, no pós 25 de Abril de 1974 cria juntamente com 12 cicloturistas o CDCL–Comissão Distrital de Cicloturismo de Lisboa, a primeira estrutura organizada para sensibilizar, dinamizar e coordenar o cicloturismo em Portugal. Posteriormente foi criada em 1982 no norte do país mais uma Associação. OCDCL nos últimos 5 anos de actividade registava 69 núcleos e 1095 aderentes devidamente inscritos. Segundo Aristides Martins a Federação de Ciclismo tentou fazer uma aproximação ténue ao CDCL com o objectivo de captar verbas da Direcção Geral dos Desportos, o que nunca se concretizou em termos práticos. Os elementos do CDCL não aceitaram qualquer cargo a nível federativo. Ainda segundo Aristides Martins surgiram uns quantos “paraquedistas” com ideias pouco definidas e que satisfizessem a família Cicloturista da época. OCDCL levou o Cicloturismo a Évora, ao Cabo da Roca, Sines, Tomar, Paris, Casa do Gaiato – Centro de Recuperação de Alcoitão, Aldeia SOS, etc.

Anos 80

 

Mário Lino, das Caldas da Rainha, coleccionador e estudioso da história da Bicicleta, influenciado por Aristides Martins, inicia os raides cicloturistas “Caldas da Rainha – Badajoz” que em 2006 teve lugar na 24ª edição como “Caldas–Vila Nueva del Fresno” na comemoração do centenário do General Humberto Delgado, que foi assassinado pela PIDE em Vila Nueva del Fresno. Em 1982, o autor associa-se ao movimento de Aristides Martins e Fernando Sacramento, com quem se compromete a continuar a desenvolver a sua obra e a promover o Cicloturismo em Portugal. Organiza o 1º Encontro Nacional de Cicloturismo em Sesimbra, funda mais tarde o Núcleo Cicloturista de Sesimbra e organiza o 1º Sesimbra – Montechoro – Algarve em 1986 (Ano Europeu do Ambiente). É nesta altura que toma contacto com a área do Ambiente, através do seu amigo pessoal Carlos Pimenta (Secretário de Estado do Ambiente na época), tornando-se mais tarde em ambientalista. Um evento que inicialmente previa a participação de 100 pessoas atingiu nesse ano, com colaboração do Ano Europeu do Ambiente, do Serviço Nacional de Parques e da Secretaria de Estado do Ambiente cerca de 950 participantes, que durante 3 dias percorreram Sesimbra – Arrábida – Vila Nova de Mil Fontes – Alzejur – Vila do Bispo – Montechoro. Este evento serviu de base para as atuais áreas protegidas da Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Dado o número elevado de participantes surge a génese do Centro Português de Cicloturismo que culmina na fundação da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB). Hoje representando 1200 sócios colectivos e cerca de 37000 sócios individuais. Em 1987, o autor toma contacto nos Estados Unidos com o aparecimento das Bicicletas Todo-o-Terreno (BTT), e conjuntamente com Jaime de Almeida, do Stand Jasma, inicia os primeiros passeios de BTT  em Portugal organizando durante 5 dias o Mértola – Alcoutim – Pereiro – Cachoupo – Barranco Velho – Alte – Silves – Mexilhoeira Grande – Foz do Rio Alvor, em que participa um histórico do BTT e da sua promoção no norte do país, Félix Barbosa, do Porto.

O Turismo em Bicicleta hoje

 

O ciclocampismo, a observação de aves, a contemplação de paisagem, o património natural e construído, a Nacional 2, as Aldeias de Xisto, a Planície Alentejana, o Sudoeste Alentejano, o Barrocal, a Via Algarviana, a Rota da Costa Atlántica EuroVelo 1 (Vila Real de St. António – Caminha, num total de 1200km, sendo o seu coordenador a FPCUB e podendo ser consultada em https://euroveloportugal.com/pt/), entre outras rotas, assentam na expansão do turismo ativo em bicicleta.

 

José Manuel Caetano

Presidente da FPCUB

Rua Cidade de Espinho, nº 3 - R/C

5000-611 Vila Real

geral@aptsus.org

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+(351) 917 503 110

O Turismo de Bicicleta

em Portugal

Cicloturismo é eminentemente a liberdade de passear de bicicleta com os amigos, com a família ou individualmente. Fazer turismo em bicicleta não é ciclismo, é a possibilidade de contemplar a paisagem, observar aves e também o silêncio, um dos grandes benefícios desta atividade. O Cicloturismo (deslocação turística em bicicleta) constitui uma actividade  lúdica, recreativa e desportiva que contém uma filosofia de comunhão com a natureza e de respeito pelo ambiente. Passear em bicicleta é uma aventura inesquecível, desde os mais pequenos passeios até viagens entre continentes, são cada vez mais as pessoas que substituem o transporte motorizado pela bicicleta, pela proximidade que esta proporciona com o meio que a rodeia. Os utilizadores  de bicicleta sempre privilegiaram, ao longo dos  anos, regiões de grande valor paisagístico, biológico e cultural.

 

Cronologia

 

A partir de1890 surgem pessoas que usam a bicicleta para deslocações turísticas na Holanda e França e paralelamente inicia-se o processo cicloturístico em Portugal, não havendo, no entanto, dados conhecidos sobre a sua evolução até aos anos 20. Nessa altura  as voltas a Portugal em cavalo, de grande impacte popular e cobertura pelos jornais da época, eram acompanhadas também por cicloturistas. O Cicloturismo resurge nos anos 40  e 50 em Portugal pela mão de António Duarte Laureano (Sócio honorário da FPCUB) que cria o Grupo “Os Quinze” – Lisboa, percorre o país e desenvolve as ideias do Cicloturista francês Velócio, fez palestras em várias academias culturais e  sociedades  recreativas,  usando a bicicleta para percorrer o país nas suas deslocações. A polícia politica confundiu, varias vezes, as suas actividades com acções políticas, tendo sido detido ao longo dos anos pela PIDE. Deslocava-se de bicicleta frequentemente nas suas viagens a Espanha e a França.

 

Anos 50

 

Aristides Martins, sócio honorário da FPCUB, depois de ter sido ciclista de competição nos anos 40 e mais tarde seleccionador nacional tornou-se na década de 50, igualmente, um impulsionador do cicloturismo em Portugal com outros amigos. Nos finais dos anos 50, o escultor Laureano Pinto Bastos, Catedrático Jubilado da Faculdade de Arquitectura  do  Porto. O Dr. António Sousa Pires, licenciado na Sorbonne, desenvolve o Cicloturimo a partir dos finais dos anos 50 e nos anos 60, sobretudo na região norte.

 

Anos 60

 

Nos anos 60também o Dr. Eduardo Vasco da Veiga de Oliveira, neto de Alves da Veiga(patriota, político, estadista e chefe da revolta Republicana no Porto), tinha a humildade e ousadia de ir de bicicleta para o seu trabalho de médico na fábrica da Senhora da Hora e de receber no seu ciclo de tertúlia intelectual e de convívio Cicloturista da época, em que promovia passeios com Eugénio de Andrade, José Rodrigues, Laureano Ribatua, Jorge Listopad, Bento da Cruz, Sofia de Mello Breyner, Agustina Bessa Luís; Manuel Santos Martins, entre outros. Fez milhares de quilómetros de bicicleta e todas as estradas do mapa do ACP (Automóvel Clube de Portugal) da época. José Manuel Sá Carneiro e António Sousa Martins entusiasmam Fernando Castel-Branco Sacramento nos raides cicloturistas de fundo que se iniciam em Portugal e, em conjunto com o Dr. Eduardo Oliveira, publicam o livro “Caminho de Santiago” – percurso francês e espanhol.

 

Anos 70

 

Aristides Martins, no pós 25 de Abril de 1974 cria juntamente com 12 cicloturistas o CDCL–Comissão Distrital de Cicloturismo de Lisboa, a primeira estrutura organizada para sensibilizar, dinamizar e coordenar o cicloturismo em Portugal. Posteriormente foi criada em 1982 no norte do país mais uma Associação. OCDCL no súltimos 5 anos de actividade registava 69 núcleos e 1095 aderentes devidamente inscritos. Segundo Aristides Martins a Federação de Ciclismo tentou fazer uma aproximação ténue ao CDCL com o objectivo de captar verbas da Direcção Geral dos Desportos, o que nunca se concretizou em termos práticos. Os elementos do CDCL não aceitaram qualquer cargo a nível federativo. Ainda segundo Aristides Martins surgiram uns quantos “paraquedistas” com ideias pouco definidas e que satisfizessem a família Cicloturista da época. OCDCL levou o Cicloturismo a Évora, ao Cabo da Roca, Sines, Tomar, Paris, Casa do Gaiato – Centro de Recuperação de Alcoitão, Aldeia SOS, etc.

 

Anos 80

 

Mário Lino, das Caldas da Rainha, coleccionador e estudioso da história da Bicicleta, influenciado por Aristides Martins, inicia os raides cicloturistas “Caldas da Rainha – Badajoz” que em 2006 teve lugar na 24ª edição como “Caldas–Vila Nueva del Fresno” na comemoração do centenário do General Humberto Delgado, que foi assassinado pela PIDE em Vila Nueva del Fresno. Em 1982, o autor associa-se ao movimento de Aristides Martins e Fernando Sacramento, com quem se compromete a continuar a desenvolver a sua obra e a promover o Cicloturismo em Portugal. Organiza o 1º Encontro Nacional de Cicloturismo em Sesimbra, funda mais tarde o Núcleo Cicloturista de Sesimbra e organiza o 1º Sesimbra – Montechoro – Algarve em 1986 (Ano Europeu do Ambiente). É nesta altura que toma contacto com a área do Ambiente, através do seu amigo pessoal Carlos Pimenta  (Secretário de Estado do Ambiente na época), tornando-se mais tarde em ambientalista. Um evento que inicialmente previa a participação de 100 pessoas atingiu nesse ano, com colaboração do Ano Europeu do Ambiente, do Serviço Nacional de Parques e da Secretaria de Estado do Ambiente cerca de 950 participantes, quedurante 3 dias percorreram Sesimbra – Arrábida – Vila Nova de Mil Fontes – Alzejur – Vila do Bispo – Montechoro. Este evento serviu de base para as atuais áreas protegidas da Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Dado o número elevado de participantes surge a génese  do  Centro  Português de Cicloturismo que culmina na fundação da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB). Hoje representando 1200 sócios colectivos e cerca de 37000 sócios individuais. Em 1987, o autor toma contacto nos Estados Unidos com o aparecimento das Bicicletas Todo-o-Terreno (BTT), e conjuntamente com Jaime de Almeida, do Stand Jasma, inicia os primeiros passeios de BTT  em Portugal organizando durante 5 dias o Mértola – Alcoutim – Pereiro – Cachoupo – Barranco Velho – Alte – Silves – Mexilhoeira Grande – Foz do Rio Alvor, em que participa um histórico do BTT e da sua promoção no norte do país, Félix Barbosa, do Porto.

 

O Turismo em Bicicleta hoje

 

O ciclocampismo, a observação de aves, a contemplação de paisagem, o património natural e construído, a Nacional 2, as Aldeias de Xisto, a Planície Alentejana, o Sudoeste Alentejano, o Barrocal, a Via Algarviana, a Rota da Costa Atlántica EuroVelo 1 (Vila  Real  de St. António – Caminha, num total de 1200km, sendo o seu coordenador a FPCUB e podendo ser consultada em https://euroveloportugal.com/pt/), entre outras rotas, assentam na expansão do turismo ativo em bicicleta.

 

José Manuel Caetano

Presidente da FPCUB